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Vilar de Mouros cancelado

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A organização do Festival de Vilar de Mouros cancelou a edição deste ano, que deveria decorrer entre 20 e 22 de Julho, responsabilizando a Câmara de Caminha pela falta de apoios.

Filipe Guimarães, da Portoeventos, disse que a anulação foi decidida em conjunto pela concessionária do festival e pela Junta de Freguesia de Vilar de Mouros (CDU), após a sistemática falta de resposta da Câmara de Caminha ao pedido de apoio feito em Dezembro de 2006. "Desde Dezembro do ano passado que a Câmara de Caminha (PSD) não dá resposta às cartas registadas que lhes enviamos", frisou Filipe Guimarães, acrescentando que nessas cartas a Portoeventos pedia apoio logístico e financeiro.

O responsável referiu que a Portoeventos e a junta de freguesia pretendem reatar o Festival de Vilar de Mouros "já em 2008", renegociando algumas das condições preparadas para a edição deste ano.

Filipe Guimarães referiu que as razões do cancelamento serão detalhadas num comunicado a difundir ainda hoje pela Portoeventos e Junta de Freguesia de Vilar de Mouros.

As divergências entre a Câmara de Caminha, presidida desde 2001 por Júlia Paula, e a Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, liderada desde 1989 pelo comunista Carlos Alves, começaram em 2003, com a contestação ao traçado da auto-estrada A28.

Em 2005, as divergências entre as duas autarquias agudizaram-se, com a Câmara de Caminha a mostrar desagrado por ter ficado de fora do protocolo assinado em Dezembro do ano anterior entre a junta de freguesia e a Portoeventos para a concessão dos festivais de Vilar de Mouros até 2010.

Em comunicado difundido em Maio de 2005, a Câmara de Caminha repudiou o comportamento da Junta de Freguesia, por a ter "afastado" do processo, quando tinha ficado acordado que o novo protocolo envolveria também a autarquia.

Carlos Alves argumentou então que o protocolo vinha na sequência do anterior, assinado em 1999 (quando a Câmara de Caminha era gerida pelo PS) com uma parceria estabelecida entre a Portoeventos e a Música no Coração. Após os seis festivais previstos na concessão inicial, esta parceria desfez-se, o que levou as duas empresas a apresentarem propostas separadas para a nova concessão de seis anos, tendo a Junta de Freguesia optado pela da Portoeventos.

Este protocolo contemplava a instalação no recinto de infra-estruturas permanentes e obrigava a Portoeventos a pagar à junta de freguesia 100 mil euros em três meses, acrescidos de 25 mil euros após cada edição do festival, montante global que a Câmara de Caminha considerou "avultado".

O desagrado do município levou a Junta de Freguesia de Vilar de Mouros e a Portoeventos a enviarem a Júlia Paula, em Junho de 2005, uma carta em que se prontificavam a efectuar "de imediato" um acordo para a valorização do festival desse ano.

Estas duas partes manifestavam-se também "totalmente disponíveis" para "ponderar e estudar, no mais curto prazo de tempo, a possibilidade de elaborar um novo protocolo conjunto para as edições futuras", e propunham a criação com a Câmara de Caminha de uma associação que se responsabilizasse pela organização do festival. Esta proposta, contudo, não foi avante, o que agravou ainda mais o clima de tensão entre as duas autarquias.

Reflexo deste mal-estar, em 2006 a Câmara de Caminha não deu destaque no seu site à edição comemorativa dos 35 anos do Festival de Vilar de Mouros, apesar de o reconhecer com "evento importante do calendário de animação turística e cultural do concelho".


Fonte: Público Online

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