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Ângela Guedes | Private Eye: A Optimus, a Super Bock e o Norte

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Ângela Guedes | Private Eye: A Optimus, a Super Bock e o Norte: Confesso que me custa a perceber as estratégias de algumas marcas. Muito mais me custa a entender a diferença abismal de estratégias para n...

Steve Jobs: How to live before you die | Video on TED.com

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Steve Jobs: How to live before you die | Video on TED.com

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A Ginja

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Na minha viagem ao Funchal, no início deste mês, tive direito a rota gastronómica pela ilha.
Numa das noites, jantámos no restaurante "A Ginja", no Estreito de Câmara de Lobos, onde pude experimentar espetada madeirense, bolo do caco com manteiga e alho e milho frito.
A espetada não foi a mais típica possível, em ramo de loureiro, mas conseguiu impôr-se e dar luta: duas espetadas para três nem seria um caso sério, se, de facto, não estivéssemos num sítio onde se serve e come bem.
Adorei o bolo do caco (durante o primeiro dia de passeio pela ilha, optei por provar logo o tradicional como almoço mais leve e gostei imenso!), até por já gostar de pão de alho em todas as ocasiões. é excelente e recomendo! 
O milho frito também me foi uma novidade, mas gostei. Não tinha qualquer ideia pré-concebida de como seria; milho aos cubinhos, frito, é algo que nos permite, à partida, experimentar duas texturas: o exterior dos cubos que está estaladiço e a parte de dentro que está em puré. O sabor também é bom: é leve e ligeiramente adocicado, servindo como boa opção aos hidratos de carbono mais comuns, como o arroz e as batatas fritas.
Aproveito para falar também da sangria que estava algo de divino: uma das melhores - senão a melhor - que já bebi até hoje!

Infelizmente, não tirei fotografias aos pratos, mas mereciam toda a atenção - falha minha!
No entanto, estávamos tão bem servidos que nem sobremesa pedimos. Fica apenas uma foto da folha colada na porta, dando a indicação de que o restaurante tem "Twinter"*. Não havendo uma qualquer rede social com este nome, acredito que se refiram ao Twitter. (Ainda não encontrei o Twitter deles, mas quando encontrar o link correcto trato de partilhar!)


* Twinter is coming!

Estreia da Eloísa

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Eloísa, convido-te a escreveres sobre o Calhabar. Aceitas? :)

Obrigada!

Sun! :)

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Radio is on!

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Ost

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Summer

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:)

Where are you, summer?

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Sabores da Oliveira

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A ida ao Manta 2011 foi o pretexto perfeito para um jantar na Cidade-berço: Guimarães.
No coração do centro histórico da cidade há um restaurante recente que promete agradar aos visitantes. Chama-se Sabores da Oliveira e, pelo atendimento prestado, já se me tornou numa referência gastronómica em Guimarães.

O local não podia estar mais relacionado com o nome do restaurante: Largo da Oliveira (para referência, a Pousada de Guimarães e o respectivo restaurante também são neste largo), bem junto aos antigos Paços do Concelho.
Sendo uma noite longa de Verão, optámos pela esplanada, mas o interior parecia igualmente interessante: edifício remodelado, com toques modernos de bom gosto, onde o granito e o ferro não deixam de ter o devido destaque.


Em primeira passagem, ainda durante a escolha do restaurante, o empregado à entrada foi simpático e disponível, sem moléstias. Foi fácil fazer a escolha.

A refeição começou com as entradas (podem ver a foto abaixo): azeitonas pretas, tomates cherry, manteiga, paté de atum com pimento e, por fim, pão e broa. Gostei imenso do paté: tinha uma consistência cremosa e não era enjoativo. Os pedacinhos de pimento eram pequenos, ao ponto de apenas darem uma leve diferença na textura, e a cebola também quase não se notava (para quem não gosta de cebola, como eu, foi o toque perfeito).


O vinho da noite foi uma criação minhota: Quinta da Aveleda, de 2009. É bastante leve e avizinhava-se como boa companhia para a nossa escolha para o jantar.
O prato principal foi bacalhau com broa em cama de grelos em azeite e alho, acompanhado com batatas a murro. Muito bem servido - e em bom tempo. o que também é importante - deixou-nos no ponto da satisfação.
A broa estava crocante, permitindo uma conjugação óptima com as lascas da posta de bacalhau que, por sinal, não se poupa a elogios. Não sendo particularmente fã de batatas, gostei imenso das batatas a murro - estavam bem cozinhadas e o tempero dos grelos caia-lhe que nem uma luva.


Antes de seguirmos caminho, ainda tivemos tempo de tomar café - como o jantar nos satisfez totalmente, passámos a parte das sobremesas.
Para o serviço, não foi caro - indo a Guimarães, já sei onde posso encontrar um bom jantar.

Alguém servido? :)

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Alguém servido? :)

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El guincho!

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Moody's: An open letter

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Dear Moody's,

I've heard that you've recently classified my country, Portugal, as "Trash".
Despite all the controversy and the ongoing protests, I want to thank you for this wake-up call, as will now explain. Let me, first of all, invite you to visit us - yes, come to Portugal!

Join us at our table and taste some of the world's best dishes, while you get delighted with our wines. Try some of ourcod dishes - more than 1001 different ways available! - or, if you prefer meat, you can choose Francesinha (a typical dish from the Oporto region) or even pork meat from Alentejo, cooked with clams. If you're into seafood, there's plenty to choose among our squid and octopus dishes!
Don't forget the salad: choose the best and fresher vegetables, wash and cut them, serving with a pinch of salt and olive oil - the best in the world!

Want soup? That's no problem! We have a large variety of soups, including Caldo Verde (translated as Green Soup) and the Watercress soup. Is it too hot for a soup? Don't worry, we also eat Gaspacho - as our Spanish neighbours do - specially in hotter regions, as Alentejo.

Now for some dessert: pudding, maybe? There are many delicious recipes for you to try! Completely mouth-watering, I can assure you! And the well-known Pastéis de Belém, typical from Lisbon! Or the Ovos Moles: a sweet soft egg cream, which is also turned into little wires, looking like hair, to embellish cakes - or to eat like that! You can also choose the healthier away: fruit! Kiwis, oranges, pear... you name it!
And, to top this, a cup of coffee - which may be from Brazil, Colombia, Ethiopia or Sumatra (not neglecting any other origins!), but no one drinks it and serves it as we do.
On the house, you can choose: a glass of Port, Aguardente, Madeira's wine, Beirão liquor and Ginginha. Too good.

Now that I've convinced you to come here, take your time and enjoy the ride. Visit our regions and see the richness of our montains and valleys, of our rivers, of our shores,... from the medieval towns to the coastal villages, you won't regret it. Take pictures and post them online, get the best comments ever about them and see for yourself all the Portuguese Wonders!
Did you know that we had a Portuguese art style? It's called Manuelino, derived from our king's name - D. Manuel II.
This was a late Gothic trend from the 16th century, composed by sumptuous architectural ornamentation with maritime elements and representations of the discoveries - hymn to the voyages of Vasco da Gama and Pedro Álvares Cabral. You can appreciate it when you visit the Tower of Belém and the Jerónimos' monastery, in Lisbon, or the Christ's convent, in Tomar, for instance. Right, don't forget to take pictures!

I could give you more and more reasons for you to come here, but these should be enough for now - I don't want to bother you with a really long letter, when you can see things for yourself and enjoy them in the first person.
So, when are you going to schedule that trip?

Let me know!

All the best!

Behind the mask

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Behind the mask

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Behind the mask

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http://www.youtube.com/watch?v=fx2ZmhYHxH4&feature=related

Consta que está sol.

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WTD 292 Sunday

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WTD 292 Sunday
© 2011 Aaron Johnson

Varanda do sol

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Pela zona da Foz, um dos meus restaurantes de eleição é o Varanda do Sol. Apesar da cozinha de especialidade italiana, a ementa também nos permite optar por pratos mais portugueses, como pratos diversos de bacalhau e o delicioso bife em massa folhada.
Gosto de apreciar uma refeição bem servida com uma bela vista a acompanhar. O serviço também costuma ser rápido, permitindo que se parta sem demoras para a degustação dos mais diversos sabores. O vasto menu de pastas, pizzas e pratos tradicionais não deixa margem para dúvidas: há escolhas para todos os palatos.
As sobremesas - para os que ainda tiverem apetite - também não ficam atrás.

Uma grande mais-valia deste restaurante é ainda contemplar menus para grupos. O menu de pratos de pasta ou pizza, com duas bebidas por pessoa, entradas, café e sobremesa fica por 12 euros. Um montante muito bem investido.
Outra, ainda, é ter uma sala de fumadores, no piso inferior, e outra de não fumadores, no 1º andar (e com uma vista ainda melhor).

Lusco Fusco

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Bem em frente ao Pólo Universitário, entre faculdades e o Metro do Porto, se apresenta o Lusco Fusco, um bar que descobri este fim-de-semana e que só posso dizer: vale a pena!

Um espaço cuidado e simpático, sem altas pretensões ou um falso ar snob - que agora está tão na moda na cidade do Porto. Com cor, à vontade, luz e boa música, as horas e a conversa passam sem se dar conta.
A carta apresenta desde chás a sumos, a bebidas alcoólicas, diferenciadas por classe, e até petiscos cujo cheirinho apetitoso enche o espaço.
O atendimento é muito simpático, rápido e prestável, deixando a sensação que nem saímos de casa e estamos todos entre amigos; a música, no volume certo, leva-nos de volta para os anos 80 e até damos por nós a bater o pézinho enquanto conversamos.

A nota final é a acessibilidade e os preços muito simpáticos, sendo o lugar perfeito para iniciar em grande o fim-de-semana, já que está aberto até às 2 horas.

* A falta de informação extra deve-se à dificuldade de aceder ao website Lusco Fusco.

Taboo

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O Taboo é um bar na baixa portuense, próximo da Travessa de Cedofeita. É um dos meus espaços preferidos dos últimos meses, porque gosto do intimismo que proporciona: não tem demasiada luz, mas não é totalmente às escuras; a música costuma estar no volume perfeito e o espaço é ideal para passar umas horas a conversar. Depende dos gostos, claro, mas encaixa-se perfeitamente no que procuro quando saio para dois dedos de conversa. Gosto das opções que nos dá: os sofás à entrada, as mesas no hall e a cama, no canto.
E, se me apetecer dançar, basta-me ir para a pista.

De lembrar que é um local ideal para quem também não quer gastar muito dinheiro: há muitos eventos de entrada livre, sem consumo obrigatório sequer, e os produtos vendidos em si não são caros. Como apreciadora de chá, é normal tomar um depois do jantar. Numa altura em o chá se tornou moda e é um bem cada vez mais caro num bar ou café, consigo tomar um chá de gama normal por pouco mais de um euro.

O Taboo também está aberto à tarde, servindo cocktails e sumos, assim como wraps e tostas. Vale a pena passarem por lá.

strip for May / 19 / 2011

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Verde Tília II

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Um par de fotos - finalmente revelei um rolo! :)


Os Suprematistas

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Sito na Rua do Rosário, próximo de Miguel Bombarda, encontramos um espaço que combina uma florista com uma casa de chá de aspecto kitsch. Chama-se Os Suprematistas e está de portas abertas para vos acolher.

Após sugestão do Wis e de lá ter tentado ir num dia em que estava fechado, finalmente consegui apanhar o espaço aberto e já sou cliente repetente.
O fim-de-semana do Dia da Mãe (1 de Maio) foi perfeito para uma visita com amigos, para um lanche numa tarde chuvosa pelo Porto. Os Suprematistas, apesar de terem um amplo espaço, é bastante pequeno na zona de chá, com apenas 3 mesas. Por isso, não desistam se não arranjarem mesa à primeira. Podem sempre ver a parte de florista - e, quem sabe, comprar uma prenda para alguém - para depois lancharem relaxadamente.
Os preços - quer da parte de florista, quer da parte de chá - são bastante acessíveis: um chá, por exemplo, ronda 1,5€, o que, no Porto, se vai tornando uma raridade. Aproveitem a ocasião para provarem alguns dos doces e salgados da casa - sabem bem e regalam a vista. Eu já provei o bolo de agrião, que tem uma textura agradável e um sabor bastante digesto, constituindo uma novidade para os habituais bolos.

Passem lá - em breve será mais um ponto de referência na zona de Miguel Bombarda.

As portas que Abril abriu

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As Portas que Abril abriu…
Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.
Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.
Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.
E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.
A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.
Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.
Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.
Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.
E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.
Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.
Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.
Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.
Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
— cumpriu-se a revolução.
Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.
E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.
Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.
E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.
Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.
Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.
Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.
Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.
Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.
Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
– Não havia estado novo
nos poemas de Camões!
Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.
Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.
Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.
E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!
É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.
Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!
Ary dos Santos
Lisboa, Julho-Agosto de 1975

Sobre o estado do Estado da Actualidade

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Sobre o estado do Estado da Actualidade, a minha voz.

Muito nos queixamos desde cantinho à beira-mar, mas a verdade é que raramente se vê uma união de forças significativa que possa, de facto, melhorá-lo. Criticamos muito; fazemos pouco. Ou nada.

Podemos ver que, quando se decide juntar uma massa popular, normalmente não há objectivos concisos, o que, da minha parte, faz com que perca sentido. Manifestemo-nos, sim, mas com lógica. 
Revejo o caso recente da Manifestação da "Geração à rasca": sem objectivos concisos, sem uma estratégia, pouco mais foi do que mandar achas para uma fogueira já grande, sem apresentar soluções possíveis para apagar o fogo. Posso até dizer que, para muitos, foi apenas um passeio de sábado à tarde e que depois foram todos, os amigos, para o café - gastar o dinheiro que não ganham, porque não têm emprego.

Empregos existem, mas não são de áreas de estudo superiores ou técnicas superiores. Acho bem que nos sintamos revoltados ao trabalhar numa loja de um centro comercial, quando temos uma licenciatura ou até um mestrado, mas toda a gente deve começar por baixo. E mais, todas as experiências de trabalho no dão traquejo para o futuro e nos garantem mais experiência laboral.

Assim, que essa revolta, tristeza, desalento ou o que for, nos alimente de uma forma mais positiva e útil: que nos sirva de força motriz para que continuemos a lutar por aquilo que queremos.
Falta-nos essa humildade - de começarmos por baixo, de nos valorizarmos por nós mesmos.
E mais: mais nos vale termos um salário de 500 € que seja certinho do que 1000 € que só apareça no primeiro mês.

Bem vistas as coisas, e já que falamos em reformas estruturais actualmente, todo o sistema educativo teria que ser revisto, desde a educação infantil até ao ensino superior, para que se adequasse às capacidades das pessoas em cada idade e ainda aos mercados do país.

Quanto ao panorama político, estava mais do que visto que, com ou sem demissão do Primeiro Ministro, iríamos precisar de ajuda externa. E com essa ajuda, viriam as medidas austeras do PEC IV - que os partidos da oposição tanto se debateram para chumbar. Nota: mesmo antes de se saber ao certo que medidas seriam, já afirmavam convictamente que o iriam chumbar. Portanto, a crise política será mais da responsabilidade dos partidos da oposição do que do Governo. - que, mal ou bem, estava a tomar medidas necessárias (tardiamente, todos sabemos). 


Portanto, apela-se à consciência colectiva: pensem nas coisas, arranjem possíveis soluções e "enfrentem o touro pelos cornos".