Resultados de pesquisa

Pesquisa dá novo enfoque aos distrúbios alimentares

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Compulsão por comer ainda não é oficialmente classificada como uma doença psiquiátrica. Mas pode ser mais comum do que dois distúrbios alimentares agora reconhecidos, anorexia nervosa e bulimia.

O primeiro estudo nacionalmente representativo sobre distúrbios alimentares nos EUA, com mais de 2.900 homens e mulheres, foi publicada por pesquisadores de Harvard no dia 1 no diário Biological Psychiatry. Descobriu-se uma prevealência na população geral de 0.6% de anorexia, 1% de bulimia e 2.8% por distúrbio de alimentação excessiva. Esses índices são maiores em grupos de jovens, sugerindo que o problema é crescentemente comum. Distúrbios alimentares são quase o dobro mais comuns em mulheres do que os homens, segundo o relatório.O dr. James I. Hudson, o principal autor do novo estudo, disse que compulsão alimentar estava associada com obesidade, particularmente severa obesidade.

“Isso confirma que a anorexia nervosa e a bulimia não são comuns, mas são doenças sérias, especialmente entre mulheres”, disse Walsh. “Também confirma que muitos indivíduos, especialmente aqueles com obesidade significativa, são perturbados por compulsão alimentar, e não entendem a importância de entender melhor esse problema”.

Enquanto os três distúrbios alimentares aparecem na bíblia de diagnósticos da Associação Americana de Psiquiatria, o Manual de Diagnósticos e Estatísticas para Distúrbios Mentais, ou DSM-IV, distúrbio de compulsão alimentar não é considerado um diagnóstico definitivo como anorexia ou bulimia. Pelo contrário, é uma das inúmeras categorias que exigem maior estudo.

Alguns suspeitam que estabelecer a compulsão alimentar como um diagnóstico psiquiátrico é meramente uma tentativa de psiquiatras e empresas de remédio “medicalizarem” o que seria considerado um simplesmente normal, talvez infeliz, comportamento humano. A dra. Cynthia M. Bulik, directora do programa de distúrbios alimentares na Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill, não vê dessa maneira: “São os pacientes que querem isso no DSM para que eles possam receber tratamento”, comentou. “Recebi e-mails de pessoas dizendo:’Obrigado por darem nome a essa compulsão alimentar’. O distúrbio não tem um diagnóstico que fará com que eles recebam pagamentos do seguro. Eles têm uma síndrome horrível com implicações sérias; mas não é oficialmente reconhecido como um diagnóstico”.

O diagnóstico de compulsão alimentar exige que uma pessoa coma uma quantidade excessivamente grande em um período de duas horas ao menos duas vezes por semana durante seis meses, sinta uma falta de controle nos episódios, e vivencie agonia clara em relação à prática.

A anorexia exige uma recusa de manter ao menos 85% do peso normal e uma visão distorcida de seu peso ou formato do corpo. Bulimia é caracterizada por episódios recorrentes de compulsão alimentar ao menos duas vezes por semana durante três meses e depois compensar pelo comportamento, normalmente induzindo vómito ou abusando de laxantes e outros remédios.

Os distúrbios alimentares são normalmente acompanhados por outras doenças psiquiatricas. Na pesquisa, mais de metade das pessoas com bulimia tinha uma grande depressão; 50% tinham fobias e mais de um terço tinha problemas de abusos de substâncias. No geral, mais de 94% das pessoas com bulimia, 56% dos com anorexia e 79% daqueles com compulsão alimentar tinham pelo menos um outro diagnóstico psiquiátrico.

Nicholas Bakalar



Fonte: Último Segundo (adaptado)

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