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Autoridade da Concorrência suspende bilhetes de cinema oferecidos pela Zon

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A Autoridade da Concorrência (AdC) decidiu hoje, na sequência de uma queixa apresentada pela Medeia Filmes, que a ZON TV Cabo vai ter de suspender por 90 dias o programa Cinemas ZON Lusomundo, ligado ao cartão myZONcard, que oferece aos assinantes daquele serviço de televisão um bilhete de cinema gratuito por semana. A ZON TV Cabo já reagiu à decisão da AdC, que considera “injustificada e lesiva dos interesses dos consumidores”, e anuncia que vai recorrer da decisão do regulador.

Em causa estão as vantagens do cartão myZONcard, lançado em Dezembro e que a partir de 1 de Janeiro oferecia, aos clientes da ZON TV Cabo que sejam assinantes do serviço há mais de um ano, 52 bilhetes de cinema grátis nas salas Lusomundo nos distritos de Lisboa, Porto, Aveiro, Braga, Vila Real, Coimbra, Setúbal e Viseu (mais de 200 salas).

A empresa sublinha que o cartão dará acesso aos seus portadores a “vantagens definidas a cada momento” pela ZON, pelo que promete agora “lançar novos benefícios para os detentores do myZONcard”, conforme se lê no comunicado enviado às redacções.

Conhecido o teor da decisão desta manhã, a ZON TV Cabo vai suspender a oferta dos bilhetes de cinema e a respectiva campanha de divulgação até que a questão fique solucionada.

Paulo Branco, produtor, distribuidor e responsável pelas 20 salas da Medeia Filmes, apresentou uma queixa à Autoridade da Concorrência para tentar “travar esta ameaça ao sector de exibição cinematográfica em Portugal”, conforme informou em comunicado. A queixa visava exactamente a suspensão da campanha.

A iniciativa da ZON vai pôr “cerca de potenciais 40 milhões de entradas gratuitas de cinema nas salas da Zon Lusomundo”, num país onde se vendem anualmente “15 milhões de bilhetes de cinema”, acusa Paulo Branco. Além disso, defende, levará ao fecho das salas de cinema que não pertencem à Zon Lusomundo.

No mesmo comunicado de reacção à decisão da AdC, a ZON frisa que o programa Cinemas ZON Lusomundo visava “dinamizar as actividades de distribuição, exibição e mesmo produção cinematográfica nacional”, originando uma “expansão do mercado” através da “renovação dos hábitos de frequência” dos cinemas e do “estímulo da concorrência”.

A Zon Lusomundo obtém mais de 60 por cento das receitas de distribuição dos filmes exibidos em Portugal.

3 weedeias:

Yoseph disse...

Bem, eu não sendo um usufruidor das vantagens do dito cartão tenho a dizer que não me afecta muito. Mas simpatizo com os possuidores de um ou mais dos ditos 52 cartões.

Ir de borla ao cinema é óptimo porque actualmente é um roubo descarado. E isso sim afecta-me...

izzie_tisha disse...

Ditto...
Mas ao ler tudo isto outra palavra me salta à mente: monopólio?!... (e eu que até nem simpatizo com o Paulo Branco...)

weevil disse...

Eu acho que o que está mesmo em causa é o cartão ser gratuito. Poderia oferecer um desconto sobre o preço do bilhete normal, por exemplo, até mesmo de 50%. Porque não?
Eu não sou frequentadora de cinemas; se for uma vez por ano mantenho a minha média, portanto aqui nem está em causa isso... Mas há que imaginar o lado da Zon, que com isto iria aumentar receitas. Imagine-se um agregado de 3 pessoas. Se o pai tem cartão, ele que até nem costuma ir ao cinema, aproveita e vai. Não paga o dele, ou paga menos, mas paga o filho e a esposa. Caso contrário, se calhar até ficariam em casa. Entre ganhar zero e ganhar 2 em 3, nada mau.
Compreende-se a posição das restantes salas de cinema. Se algumas ainda resistem pela qualidade (sim, falo do UCI / Arrábida, etc.), outras muito pior estão. As salas Medeia passam dias seguidos vazias. Não são tão boas como as lusomundo (e muito mais longe das UCI), logo começam por perder no factor qualidade. O preço dos bilhetes é mais baixo já por causa das variáveis, mas, mesmo assim, e mesmo com o cartão deles (cerca de 15€/mês, válido para quantas sessões se quiser, excepto se forem seguidas) e com os descontos oferecidos (eu, por exemplo, tenho desconto lá por ser da FBAUP), não conseguem sequer ficar com 1/3 da capacidade completa.
Posto isto, percebo perfeitamente a posição do Paulo Branco e até sou da opinião que outros mais se deveriam juntar à contestação.