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Elacemos as mãos.

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No mês passado perdi duas pessoas. Não só eu as perdi; mais gente também.
E não há explicações, não há ombro que me dê consolo - eles não voltam. [Quanto muito, poderei eu ir ter com eles. Irei. Chamem-me e irei. Não me esqueço de vós, não saireis daqui de dentro.]
Os míticos vinte anos. Os vinte na estrada. Em par, lado a lado, na vida e na morte. Nunca isto me tinha feito tanto sentido até esse momento. Sei que gostaram de quando estivemos juntos naquela esplanada e nos rimos das coisas parvas que dizíamos e que fazíamos, tão leves que éramos. E sempre me citava, ele, a "Roadhouse Blues" dos The Doors. E ela citava Picasso. E eu cantava e ria e dizíamos todos parvoíces.

A ela. Foram quinze dias mais. De mais dor, de mais pedidos para morrer no momento. E nem assim foi mais breve ou fisicamente menos doloroso. Mas tudo parou num simples par de horas, tu pediste e foste e sorriste no fim. Disseram-me.

A vocês.
Às vossas famílias.

A dor da perda. Irrefutável.
"Ser como o rio que corre inexoravelmente para o mar. / Elacemos as mãos." - Ricardo Reis.

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