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Hospitais cobram 50% das propinas dos estagiários de Saúde das privadas

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Saúde e Educação

"Uma tentativa de exploração". É desta forma que João Redondo, presidente da Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP), classifica a decisão "generalizada" dos hospitais públicos de cobrarem às instituições particulares valores iguais ou superiores a 50% das propinas para receberem estudantes de cursos de Saúde em estágios de formação.

Segundo o presidente da APESP, esta situação motivou já o pedido de uma audiência, "com carácter de urgência", ao ministro da Saúde, Correia de Campos, para pedir que este ponha termo ao que as instituições classificam de "inexplicável discriminação" face ao sector público, que não paga qualquer verba: "As instituições privadas têm o mesmo estatuto de interesse público das outras. Os nossos estudantes têm a mesma natureza e desenvolvem o mesmo tipo de estágio, que é obrigatório, e até contribuem para o funcionamento dos hospitais", argumenta.

Do outro lado, (...) José Miguel Boquinhas, administrador do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (Egas Moniz, São Francisco Xavier e Santa Cruz) assume ao DN que este ano foi decidido cobrar às instituições privadas 50% do valor das propinas pagas pelos alunos, "durante os estágios por estes realizados (...) Antes de definirmos este modelo de protocolo, era a bagunça. Tínhamos um acordo com uma única instituição. Outras chegavam a contratar os nossos formadores para acompanharem os seus alunos. Tínhamos formadores nossos, em horário de trabalho, a receber do sector privado sem que nós soubéssemos".

José Miguel Boquinhas diz não ver motivo para "disponibilizar gratuitamente instalações e recursos humanos que deviam estar ao serviço do sector público aos privados". Porém, remete essa decisão para a tutela: "Essa discussão provavelmente terá de ser feita entre os ministérios da Saúde e do Ensino Superior", sugere.

O que garante é que estas formações "têm custos" e que "é frágil" o argumento de que os estagiários são uma ajuda para os hospitais: "Basicamente, trabalhar com o aluno faz perder tempo", diz. "Não pode ser abandonado. Tem de ter sempre alguém a acompanhá-lo e a ajudá-lo".

Por seu turno, João Redondo avisa que os valores das propinas "são necessários para o funcionamento das instituições, e não podem ser desviados para outros fins, sob pena de as instituições não funcionarem". (...)

Fonte: Diário de Notícias

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